
No dia Seguinte:
Inês tomava o seu café matinal sentada no pequeno e rústico sofá da sala dos professores sem se aperceber que Madalena a fitava incessantemente. Os olhos de Inês fixavam a chávena vermelha e o seu pensamento voava pelo infinito. Se estivesse no seu estado normal, sentiria naquele momento uma profunda amnésia. Já não se lembrava de nada do que se tinha passado na noite anterior. Ou melhor: não se queria lembrar.
Inês tomava o seu café matinal sentada no pequeno e rústico sofá da sala dos professores sem se aperceber que Madalena a fitava incessantemente. Os olhos de Inês fixavam a chávena vermelha e o seu pensamento voava pelo infinito. Se estivesse no seu estado normal, sentiria naquele momento uma profunda amnésia. Já não se lembrava de nada do que se tinha passado na noite anterior. Ou melhor: não se queria lembrar.
Emanuel entrou na sala e fitou também ele Inês. Dirigiu – se para o Bar de seguida.
- Bom dia Madalena
- Bom dia doutor!
- Sirva – me um café duplo por favor – pediu
- Também vai ficar como aquela? – disse a empregada apontando para a jovem professora que continua impávida e serena.
- Desculpe?
- Está assim desde que chegou. Cá entre nós: eu acho que ela está a ficar maluca com a turma lá dos terroristas.
- Se está é porque quer Madalena! Eu e professora Eugénia fizemos – lhe uma proposta de ajuda. Mas ouça o que lhe digo: o orgulho não mata mas mói.
- Ui a quem o diz doutor. A quem o diz…
- Bom dia Madalena
- Bom dia doutor!
- Sirva – me um café duplo por favor – pediu
- Também vai ficar como aquela? – disse a empregada apontando para a jovem professora que continua impávida e serena.
- Desculpe?
- Está assim desde que chegou. Cá entre nós: eu acho que ela está a ficar maluca com a turma lá dos terroristas.
- Se está é porque quer Madalena! Eu e professora Eugénia fizemos – lhe uma proposta de ajuda. Mas ouça o que lhe digo: o orgulho não mata mas mói.
- Ui a quem o diz doutor. A quem o diz…
Minutos Depois no Gabinete da direcção:
- É como te disse! A Inês está a dar em maluca com tudo isto… - dizia Emanuel
- Tens a certeza? – perguntou Eugénia recebendo um aceno de cabeça como resposta – Lembra – te que esta é só mais uma e depois atingimos a nossa meta. 6 anos depois Emanuel. 6 anos depois…
- E tu acreditas mesmo que o Ministério vai autorizar?
- Não tem hipótese. Vai ser vê – los pelos cantos e nós a gloriarmo – nos pelos cantos do mundo… - gritava Eugénia com um ar de enorme satisfação.
Na sala de aula:
- O que eu quero que vocês façam é que escrevam nesse papel que vos entreguei um desejo! Aquilo que vocês mais queriam neste momento – dizia Inês
- É só isso? – perguntou Sónia
- Sim é só isso…Depois basta colocarem aqui nesta caixinha. Ah! E claro os papeis são anónimos!
- Mas afinal esta cena é para quê? Não me parece que tenha muito a haver com Biologia.
- Eu não estou aqui só para vos ensinar teoria! Vá lá por favor façam isso rápido que ainda temos de corrigir os trabalhos de casa.
Inês regressou ao seu lugar. Estava a fazer um esforço máximo para não fitar Filipe. Há poucos segundos lembrara – se do beijo. Como poderia tal ter acontecido? Ele era um aluno e ela sua professora. Era impossível, era contra natura…
Mas não resistiu muito mais…Aos poucos os seus olhos fitaram os de Filipe e a jovem professora retomou os seus pensamentos. A energia entre ambos parecia não se quebrar…
Porém esta conexão acabara por ser quebrada quando se ouviu alguém a bater à porta. Inês levantou – se aliviada por arranjar motivo para desviar o olhar do aluno e abriu a porta com igual indiferença. Do outro lado estava Eugénia e Emanuel.
- É como te disse! A Inês está a dar em maluca com tudo isto… - dizia Emanuel
- Tens a certeza? – perguntou Eugénia recebendo um aceno de cabeça como resposta – Lembra – te que esta é só mais uma e depois atingimos a nossa meta. 6 anos depois Emanuel. 6 anos depois…
- E tu acreditas mesmo que o Ministério vai autorizar?
- Não tem hipótese. Vai ser vê – los pelos cantos e nós a gloriarmo – nos pelos cantos do mundo… - gritava Eugénia com um ar de enorme satisfação.
Na sala de aula:
- O que eu quero que vocês façam é que escrevam nesse papel que vos entreguei um desejo! Aquilo que vocês mais queriam neste momento – dizia Inês
- É só isso? – perguntou Sónia
- Sim é só isso…Depois basta colocarem aqui nesta caixinha. Ah! E claro os papeis são anónimos!
- Mas afinal esta cena é para quê? Não me parece que tenha muito a haver com Biologia.
- Eu não estou aqui só para vos ensinar teoria! Vá lá por favor façam isso rápido que ainda temos de corrigir os trabalhos de casa.
Inês regressou ao seu lugar. Estava a fazer um esforço máximo para não fitar Filipe. Há poucos segundos lembrara – se do beijo. Como poderia tal ter acontecido? Ele era um aluno e ela sua professora. Era impossível, era contra natura…
Mas não resistiu muito mais…Aos poucos os seus olhos fitaram os de Filipe e a jovem professora retomou os seus pensamentos. A energia entre ambos parecia não se quebrar…
Porém esta conexão acabara por ser quebrada quando se ouviu alguém a bater à porta. Inês levantou – se aliviada por arranjar motivo para desviar o olhar do aluno e abriu a porta com igual indiferença. Do outro lado estava Eugénia e Emanuel.
- Que se passa? – perguntou a jovem professora
- Precisamos de falar consigo um minuto… - disse Eugénia
- Sim, mas não podem esperar mais 5 minutos?
- Tem de ser agora! Eu fico com a turma enquanto vai falar com o professor Emanuel.
- Pronto ok! Se tem de ser, vamos lá.
A porta fechou – se e Inês não resistiu a questionar o director:
- Que se passa de tão urgente?
- Falamos no meu gabinete!
- Precisamos de falar consigo um minuto… - disse Eugénia
- Sim, mas não podem esperar mais 5 minutos?
- Tem de ser agora! Eu fico com a turma enquanto vai falar com o professor Emanuel.
- Pronto ok! Se tem de ser, vamos lá.
A porta fechou – se e Inês não resistiu a questionar o director:
- Que se passa de tão urgente?
- Falamos no meu gabinete!
O caminho para o gabinete parecia não ter fim. A ansiedade crescia mas o pensamento de Inês estava longe de tudo aquilo. Imaginava agora como estaria a decorrer a aula do 12ºH com a professora Eugénia. Inês sabia que os alunos a odiavam e que estariam fulos com esta situação. Não é que a adorassem a si mesma, mas tinha a certeza que gostavam muito mais de si do que da professora de Matemática.
Estava tão envolta nestes pensamento que nem reparou que Emanuel lhe abrira já a porta do gabinete e até já se sentara na poltrona preta.
Entrou e fechou a porta com uma calma que a própria desconhecia.
- E agora? Já me vai dizer o que se passa? – perguntou ansiosa
- A pressa nunca foi boa conselheira minha cara.
Inês preferiu não dizer nada…
- Sente – se! – ordenou Emanuel – O assunto é muito sério.
- Estou à espera…
- Inês por acaso fez a chamada hoje?
Inês fazia agora um jogo de memorização tentando – se recordar de tudo o que fizera na aula mas a imagem de Filipe não a deixava ver mais nada…
- Acho que sim – respondeu
- E marcou falta ao Diogo Miranda?
Agora lembrava – se do lugar vazio ao lado de Filipe. Diogo estava de novo a faltar. Mas que diria ela agora? Depois de Rui ter abandonado a escola por sua culpa, como reagiria Emanuel ao souber que também Diogo o fez? Sabia que não devia fazê – lo, mas Inês acabou por mentir:
- O Diogo estava na minha aula…
- Inês que idade pensa que eu tenho?
A jovem professora não percebeu a pergunta, mas preferiu manter – se no silêncio.
- Eu não nasci ontem! Eu chamei – a porque soube uma novidade sobre o Diogo Miranda.
Inês sentia o chão a desabar. Tinha mentido e pior: sido descoberta. Se houvesse um buraco era para lá que a professora se iria deslocar.
- Emanuel eu só disse isso porque… - Inês tentava desculpar – se mas foi interrompida pelo director.
- O Diogo faleceu esta madrugada!
A boca de Inês acabara de secar, as pernas começavam a tremer e as mãos deixaram cair o pequeno alfinete que a professora agarrara e tirara da secretária de Emanuel.
- Recebi um telefonema esta manhã. Morreu…de overdose Inês!
- Overdo… - Inês não conseguiu pronunciar muito mais do que isto… Ocorreu – lhe agora que Filipe ainda não saberia do acontecimento. Mas também não podia ser ela a contar – lhe. Nem ela acreditava na situação ainda…
E não precisava. Depressa a noticia percorreu os corredores da escola e já tudo comentava o mesmo assunto…Inês procurara Filipe durante todo o dia mas nunca mais o vira desde que saíra da sala para falar com Emanuel.
Entrou na sala dos professores e dirigiu – se para o lugar onde se sentava Eugénia.
- Boa Tarde! – disse – lhe
Inês esperou receber resposta mas como tal não aconteceu, decidiu continuar a conversa:
- Eugénia eu precisava de lhe pedir um favor.
De novo fitou o olhar à professora de Matemática à espera de uma reacção, mas nada…Continuou:
- Eugénia eu sei que é directora de turma do 12ºH e que tem acesso a toda a informação da turma. Eu precisava do número de telefone do Filipe… - a professora tencionava proceder à explicação mas Eugénia acabara de se levantar e a resposta foi muito simples:
- A Inês aqui é apenas uma professorazeca recheada de orgulho.
Mal acabara de proferir estas palavras, Eugénia saíra da sala do pessoal docente com um estrondo digno de um fenómeno natural catastrófico.
O dia caíra e a noite de Inês não podia ter sido pior. Lembrou – se da tristeza de Filipe por ter perdido os pais, lembrou – se do beijo…Passara a noite a pensar nos alunos da Escola da Torre e na forma como o seu trabalho estava a prosseguir. Quando tirara o curso sabia que isso ser difícil, mas tanto?? E mal sabia o que a esperava.
Na manhã seguinte percorreu os corredores da Escola e sentiu – se olhada por todos. Parou em frente a um expositor tentando ver o seu reflexo no espelho. Seriam das olheiras? Lembrou – se do dia em que fora para a Universidade de chinelos e voltou os olhos para o chão. Mas enganara – se. Não via qualquer motivo para ser motivo de tantos olhares. Entrou na sala dos professores e sentiu o instaurar do silêncio.
Apenas se ouviam uns meros burburinhos entre o pessoal docente. Procurou logo Eugénia ou Emanuel mas não encontrou nenhum. Aproximou – se do balcão do Bar e sibilou um “Bom dia” a Madalena, da qual não obteve resposta.
Reparou no Jornal que se estendia sobre o balcão. Aproximou – se e reconheceu a fachada da Escola estampada na primeira página do Jornal.
Sorriu ao ver o nome Escola da Torre gravado no Jornal mas depressa se envolveu em nuvens cinzentas quando passou os olhos pelo titulo: “Professora leva droga para as aulas e mata aluno de overdose”.
A palavra overdose lembrara – lhe logo Diogo e os seus olhos voltaram – se para os colegas a fim de perceber de quem se tratava a culpa.
E depressa sentiu milhões de arrepios trespassando – a como setas quando se apercebeu que a professora era Ela! Não podia ser verdade, não era verdade… Mas os olhares não enganavam ninguém…
Inês pensava agora nas palavras que iria proferir mas a sirene da policia já tinha soado por toda a escola. A jovem professora não percebia o que se estava a passar, mas tinha a sensação de que não era nada de bom para o seu lado. Mas pior: agora nem Filipe estava lá para a proteger…
