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domingo, 5 de junho de 2011

"Irmãos de Sangue": Especial Entrevista (ESTREIA)

Boa tarde!
Prometido é devido e cá está a estreia da nova rúbrica do MAIS TVI.

Ao longo das próximas semanas vão se multiplicar o número de conversas (exclusivas) que vamos ter com todos aqueles que irão fazer de "Irmãos de Sangue" o novo sucesso cibernautico.

Para os mais desatentos volto a referir que esta é a 1ª série LGBT Portuguesa e que todos os conteudos exclusivos só vai encontrar no MAIS TVI!

Para a estreia convidamos Ruben Gomes, o autor da série:

Rúben como surgiu a ideia de escrever uma série com esta temática?
Foi o André Penteado, o produtor, que me convidou para escrever uma série gay. Ele viu uma série de vídeo amadora online que eu e um grupo de amigos criámos, gostou e abordou-me. Quando ele me pediu para a escrever fiquei bastante contente, uma vez que já tinha em mente escrever uma história de temática gay, só me faltava um incentivo para a escrever. E em boa hora chegou. Agora, como surgiu a história na minha cabeça já é mais complicado responder. Diariamente vejo pessoas, situações. Tudo isso se conjuga na minha cabeça e é assim que crio histórias.
Felizmente, o André deu-me total liberdade criativa. Não impôs quaisquer entraves a nenhuma das cenas que lhe mostrei. E muitas delas são algo arriscadas, ou porque podem não existir os meios técnicos suficientes ou porque são demasiado ousadas em termos de exposição pública.
Eu não tenho formação em escrita criativa. Este é o meu primeiro projecto “a sério”. Mesmo que não corra bem, não importa. Há que ter a coragem de fazer, de apostar, de arriscar. É como diz Samuel Becket: Ten­taste sem­pre. Sem­pre falhaste. Não te apo­quen­tes. Tenta de novo. Falha de novo. Falha melhor”.

Apesar de já se sentir uma certa abertura ao tema, Portugal não parece estar ainda preparado para aceitar a homossexualidade como algo normal. Não teme que reajam mal ao teor da história?
Portugal, historicamente, sempre foi um país mais atrasado que a Europa, quer no que respeita à economia, quer no que toca aos costumes e valores. Penso que uma das grandes falhas que conduziram a essa situação jaz na pacificidade e passividade portuguesa para a manifestação dos seus pensamentos e para a revolta contra imposições políticas, de forma a tentar mudar mentalidades e alterar ideologias.
A homossexualidade não é, de facto, ainda, vista como algo normal em Portugal. Custa muito mudar as mentalidades. Portanto, já estou preparado para que algumas pessoas reajam mal. Mas é óptimo se isso acontecer: Significa que a série está a ter impacto.
O choque e o confronto directo são muito importantes para os tabus começarem a ser desmistificados e se falar mais abertamente das coisas ao ponto delas se normalizarem. As mulheres também tiveram que realizar muitas manifestações feministas para que pudessem usar calças sem serem olhadas de lado na rua e, agora, isso é algo completamente normal.
As televisões transmitem alguns produtos de ficção que abordam a temática gay, mas vê-se claramente o medo em aprofundar mais esse tema. E o público repara nessas coisas. Os meios de comunicação são um grande trunfo na transmissão de novas mensagens e na mudança de mentalidade. Se não mostrarem a homossexualidade como ela é, as coisas nunca vão andar para a frente.

Porquê o titulo "Irmãos de Sangue"?
O título está relacionado com a história da série, que não vou poder contar, caso contrário perde-se um pouco do efeito surpresa, que é essencial para o sucesso de qualquer programa.
Por outro lado, todos nós podemos ser vistos como irmãos. Importa que nos amemos, sem pudores. Será que o sangue tem mesmo importância nas nossas relações?

Mais que um marco para a história da Ficção Portuguesa, esta série tem como objectivo "mudar mentalidades"?
Esta não é a típica série que os portugueses estão habituados a ver, em que a homossexualidade é mostrada como uma “coisa” delicada, quase angelical, que não tem maldade absolutamente nenhuma. Não. Esta série mostra-nos alguns lados da homossexualidade. Lados mais crus, mais carnais, mais reais. Sem pudores. A homossexualidade não faz parte da história, ao contrário do que acontece nas séries portuguesas corriqueiras. Aqui, A homossexualidade tem várias histórias.
Esta série não segue, portanto, a linha baça da “mudança de mentalidades” que alguns produtos de ficção portugueses têm. Aqui é mostrado algo mais “avançado”, algo mais chocante, se assim quiserem entender.

Não o assusta que a série seja rotulada como polémica? Como já referi, acho que é absolutamente natural no país em que vivemos isso acontecer. E espero que aconteça. Significa que tem alguma importância.

Porque razão devem os Portugueses acompanhar este projecto?Se quiserem ver algo diferente, original e inédito em Portugal, não se vão desiludir com a história de “Irmãos de Sangue”. A homossexualidade é explorada como nunca antes o foi, pelo menos em Portugal.

Foi fácil arranjar actores para gravar "Irmãos de Sangue"?
Isso têm de perguntar ao André. Eu apenas sou o autor da série. A pré-produção, produção e pós-produção são responsabilidade da equipa da AProducons, sediada no Porto. É também lá que a série é rodada. Eu moro em Lisboa. Se não fosse a distância, talvez tivesse uma participação mais activa. Mesmo assim, gosto de estar a par de tudo o que se passa lá em cima.

Recentemente li um comentário no MAIS TVI que dizia que esta seria uma série pornográfica, até porque, segundo o visitante, sempre que se faz algo relacionado com homossexualidade ou travestismo está relacionado com o mundo da pornografia. Concorda?
Ora aí está um belo exemplar de uma pessoa preconceituosa! Essa pessoa provavelmente não está ligada à produção da série nem tão pouco deve conhecer ninguém da equipa e, no entanto, afirma peremptoriamente que esta vai ser uma série pornográfica. A não ser que seja vidente. Mas nesse caso a bola de cristal não está a funcionar bem.
Esta não é, com efeito, uma série pornográfica, mas aborda impreterivelmente a sexualidade. Mas atenção: sexualidade não é sexo.
Além disso, as cenas de sexo que podem, ou não, ocorrer não são explícitas.

Tendo em conta a temática esta não é uma série para toda a familia?
Esta é uma série com um clima pesado e algumas situações que podem chocar os mais novos e as pessoas mais sensíveis. Além disso, a história é complexa. Não me parece recomendável que a família se reuna toda para a ver. Mas eu acharia piada se isso acontecesse.

Este é um projecto que lhe está a dar gozo fazer? Porquê? O que considera mais fácil e mais dificil em realizar uma série LGBT?
Eu já escrevi o guião há algum tempo. Deu-me imenso gozo escrevê-lo. Eu adoro escrever e esta série, pelo peso que tem, deu-me ainda mais prazer. As ideias para adensar a trama surgiram fluidamente e gostei bastante do resultado final.
O que é mais fácil e difícil na realização da série não me deverá perguntar a mim. A realização está a cargo do André Penteado. Eu sou o autor. Penso que escrever uma série LGBT não é muito diferente que escrever uma outra qualquer, em termos da escrita propriamente dita. Mas é claro que fiz algumas pesquisas para tornar a história mais verosímil.


BREVEMENTE NO MAIS TVI
Muito em breve chegam novos conteudos exclusivos ao MAIS TVI sobre a série "Irmãos de Sangue".

Os videos do Jantar de Apresentação, a apresentação oficial do elenco e entrevistas exclusivas com André Penteado, o produtor, e Ana Isabel e Andreia Leal (ex.concorrentes da "Casa dos Segredos"), duas das actrizes da série, e muito mais estará aqui no seu blog de eleição!